Os 35 anos do Linux: de um "hobby" num quarto de estudante à infraestrutura do planeta
Os 35 anos do Linux: a história do sistema que nasceu como "só um hobby" em 1991 e hoje roda em bilhões de aparelhos, supercomputadores e até em Marte.
Em 25 de agosto de 1991, um estudante finlandês de 21 anos publicou uma mensagem despretensiosa em um fórum da Usenet: "Estou fazendo um sistema operacional livre (é só um hobby, não vai ser grande e profissional como o GNU)". Trinta e cinco anos depois, esse "hobby" roda em bilhões de celulares, em todos os 500 supercomputadores mais rápidos do mundo, na maior parte da internet e até na superfície de Marte. Poucas previsões na história da tecnologia envelheceram tão mal — e ainda bem. Neste artigo, celebramos os 35 anos do Linux recontando como um projeto de quarto de estudante virou parte da infraestrutura da civilização, e por que a lição mais importante dessa história não é sobre código.
Um hobby que ninguém deveria ter construído
Para entender o tamanho do feito, é preciso lembrar como era o mundo em 1991. Um sistema operacional decente custava caro: os Unix comerciais valiam milhares de dólares e eram controlados por corporações com mais advogados do que programadores. O software era, por padrão, proprietário e fechado. Foi contra esse cenário que Linus Torvalds, incomodado com as restrições do Minix (um Unix acadêmico cujo código não podia ser redistribuído livremente), decidiu escrever o seu próprio núcleo de sistema.
A primeira versão, a 0.01, tinha apenas 10.239 linhas de código — pouco o suficiente para um programador dedicado ler num fim de semana. Curiosamente, o nome "Linux" quase não existiu: Torvalds queria chamá-lo de Freax. Foi Ari Lemke, o voluntário que administrava o servidor FTP da universidade, que — dizem — detestou tanto o nome que criou um diretório chamado "linux" sem consultar ninguém. O projeto de software mais importante da Terra pode ter sido batizado por um administrador de sistemas exercendo um veto silencioso.
A decisão que mudou tudo: software livre
Se existe um único momento que explica o sucesso do Linux, não é técnico — é jurídico. Em janeiro de 1992, Torvalds relicenciou o kernel sob a GPL 2.0, a Licença Pública Geral do projeto GNU. A regra é simples e genial: qualquer um pode usar, modificar e até lucrar com o software, mas quem distribui uma versão modificada precisa liberar as alterações sob a mesma licença. Isso impediu que uma empresa pegasse o código, criasse uma versão "melhorada" fechada e se recusasse a devolver nada à comunidade. Anos depois, o próprio Linus diria que adotar a GPL foi a melhor decisão que já tomou.
Vale lembrar que o "Linux" que usamos é, na verdade, uma parceria. O kernel é a peça que Torvalds criou, mas boa parte das ferramentas essenciais em volta dele veio do projeto GNU, iniciado em 1983 por Richard Stallman — o compilador C, os utilitários de terminal e muito mais. É essa simbiose que transforma um kernel em um sistema completo e utilizável. Quer entender melhor o que é o núcleo e como ele se encaixa no todo? Vale a leitura do nosso guia sobre o que é o Linux.
Os estranhos que apareceram
O que transformou um projeto de quarto de estudante em algo maior foi um fenômeno que se repetiria por três décadas: pessoas desconhecidas, do outro lado do mundo, olhando para um trabalho inacabado e decidindo melhorá-lo — sem contrato, sem pagamento, sem ninguém pedir. Poucos meses depois do primeiro lançamento, um norte-americano chamado Ted Ts'o começou a contribuir com o kernel. Mais de trinta anos depois, ele ainda mantém o EXT4, um dos sistemas de arquivos mais importantes do mundo, presente em servidores, computadores e numa enorme variedade de aparelhos Android. Um dos primeiros voluntários a entrar simplesmente nunca foi embora.
Esse modelo de colaboração distribuída deu resultado rápido. Em 1º de março de 1994, o Linux chegou à versão 1.0, comemorada com uma pequena celebração num auditório de Helsinque. Em menos de três anos, o kernel havia saltado das 10 mil linhas iniciais para cerca de 176 mil linhas, escritas por colaboradores espalhados pelo planeta — muitos dos quais jamais se conheceriam pessoalmente. Sem orçamento de marketing, sem palco de estádio, sem campanha de influenciadores: só champanhe barato, cadeiras dobráveis e um kernel que funcionava. Era glorioso, mas ainda não pagava o aluguel de ninguém. Para amadurecer em escala global, o dinheiro um dia teria que aparecer — e, quando aparece, as coisas ficam complicadas.
"Linux está obsoleto" e outras profecias furadas
Nem todo mundo apostou no pinguim. Em 29 de janeiro de 1992, Andrew Tanenbaum — professor respeitadíssimo e autoridade em sistemas operacionais — declarou publicamente que "Linux está obsoleto", argumentando que seu design monolítico estava ultrapassado diante dos microkernels. Segundo boa parte do pensamento acadêmico da época, ele tinha até razão no papel. A resposta de Torvalds deu origem a um dos debates mais lendários da história da tecnologia. Guarde a palavra "obsoleto": em 2017, todos os 500 supercomputadores mais rápidos do planeta rodariam Linux.
A profecia furada mais famosa, porém, veio da rival. Em junho de 2001, o então CEO da Microsoft, Steve Ballmer, chamou o Linux de "câncer", atacando o modelo da GPL. A reviravolta é deliciosa: em 2016, a mesma Microsoft se tornou membro platina da Linux Foundation, o nível mais alto de associação. Hoje, a empresa afirma que a maioria das máquinas virtuais que rodam na sua nuvem Azure usa Linux. O câncer virou infraestrutura do próprio acusador.
O nascimento das distribuições
Um kernel sozinho não paga o aluguel de ninguém — é preciso empacotá-lo num sistema completo, o que chamamos de distribuição (ou "distro"). E foram os estranhos que apareceram para fazer isso. Em 1993, Patrick Volkerding lançou o Slackware, hoje reconhecido como a distro mais antiga ainda em manutenção ativa — e que ele lidera há mais de trinta anos. Um mês depois, um jovem de 20 anos chamado Ian Murdock anunciou a sua, batizada com a fusão do nome da namorada, Deborah, com o dele: Debian. Provavelmente a coisa mais romântica já feita num laboratório de informática.
O Debian se tornaria a base de centenas de outras distribuições. A mais influente delas nasceu de uma história improvável: em 2002, Mark Shuttleworth vendeu uma startup, pagou cerca de US$ 20 milhões para ir ao espaço numa nave Soyuz, voltou e decidiu que seu próximo projeto ambicioso seria tornar o Linux usável por pessoas comuns. Fundou a Canonical e lançou o Ubuntu em 2004. Do outro lado, a Red Hat abriu capital em 1999 a US$ 14 e fechou o primeiro dia perto de US$ 52 — Wall Street estava perdendo a cabeça com a ideia de ganhar dinheiro com software aberto. Hoje há uma distro para cada gosto, e escolher a sua ficou fácil: veja nosso guia das melhores distribuições Linux para iniciantes.
A guerra dos US$ 5 bilhões
O sucesso também atraiu ameaças mais sérias que ofensas. Em 2003, o Grupo SCO processou a IBM alegando que trechos de código do Unix teriam sido indevidamente inseridos no Linux — e a demanda inicial de US$ 1 milhão logo virou US$ 5 bilhões. Pior: a SCO começou a ameaçar empresas que apenas usavam Linux, deixando departamentos jurídicos do mundo todo em pânico. Por anos o caso pairou como uma nuvem sobre a comunidade; o próprio Torvalds foi intimado. Aos poucos a alegação ruiu: a Justiça decidiu que os direitos autorais do Unix pertenciam à Novell, não à SCO, que acabou pedindo falência em 2007. Uma parte pouco lembrada de sustentar o código aberto é garantir que quem faz o trabalho não seja deixado sozinho para enfrentar uma campanha jurídica bilionária.
A área de trabalho e a briga que gerou dois clássicos
Para chegar ao usuário comum, o Linux precisava de uma interface gráfica amigável — e é aqui que entra uma das histórias mais curiosas do software livre. Em outubro de 1996, o estudante alemão Matthias Ettrich anunciou o "cool desktop environment", que ficaria conhecido como KDE (o "K" com cara de anos 90). O projeto decolou, mas parte da comunidade se incomodou: o conjunto de ferramentas em que o KDE se baseava usava, na época, uma licença considerada pouco livre. Em vez de reclamar, esses desenvolvedores criaram um ambiente de trabalho concorrente do zero: o GNOME.
O resultado dessa "briga" é uma lição sobre como o código aberto funciona: em vez de rachar o projeto, a discórdia produziu dois ambientes de desktop excelentes que evoluíram se cutucando por décadas. Hoje o KDE Plasma roda em milhões de dispositivos — incluindo o modo desktop do Steam Deck — e o GNOME é o padrão de distribuições como Ubuntu e Fedora. No mundo do software livre, até os desentendimentos costumam terminar em software melhor.
Tux, o pinguim que custou uma mordida
Toda lenda precisa de um mascote, e a do Linux é encantadora. Torvalds foi mordido por um pinguim-fada num zoológico na Austrália e brincou que havia contraído "pinguimite". Em 1996, Larry Ewing desenhou o Tux usando o GIMP — outro software livre. Muita gente achou que um pinguim gordinho e caricato era um logo ruim para um projeto sério. Estavam errados: na internet, um símbolo amigável vale ouro. Enquanto empresas gastam fortunas em mascotes que não significam nada, o do Linux custou um encontro com um pinguim e significa tudo.
Do quarto de estudante à infraestrutura do planeta
A partir dos anos 2000, o Linux deixou de ser coisa de entusiasta e virou alicerce do mundo digital — muitas vezes sem que ninguém percebesse. Em 2000, a IBM anunciou US$ 1 bilhão de investimento no sistema, encerrando o debate sobre sua seriedade. Em 2008, o primeiro celular Android chegou às lojas: como o Android usa o kernel do Linux, o pinguim entrou no bolso de bilhões de pessoas enquanto o mundo discutia iPhones — em 2021 já eram mais de 3 bilhões de aparelhos Android ativos.
A partir daí, a onipresença virou regra. Em 2012, o Raspberry Pi — um computador Linux completo por US$ 35 — ensinou uma geração inteira a programar (já passou de 60 milhões de unidades vendidas). Em 2017, todos os 500 supercomputadores mais rápidos do mundo rodavam Linux, contra apenas um em 1998. E em 2021, o helicóptero Ingenuity da NASA fez o primeiro voo controlado em outro planeta com sistemas de alto nível rodando Linux — milhares de colaboradores anônimos de código aberto podem dizer, com honestidade, que algo que ajudaram a construir voou em Marte. Até os games entraram na dança: em 2022, o Steam Deck da Valve, baseado em Arch Linux, tornou a velha piada de que "Linux não roda jogos" difícil de dizer sem rir — como mostramos no nosso guia de como jogar no Linux.
Git: o segundo presente de Torvalds
Um detalhe que quase ninguém lembra: Linus Torvalds não criou uma, mas duas das ferramentas mais influentes da computação moderna. Em 2005, o projeto do kernel perdeu o acesso ao sistema de controle de versão que usava (o proprietário BitKeeper), após um conflito de licenciamento. Em vez de esperar por uma solução, Torvalds passou cerca de dez dias e escreveu do zero a base do Git — hoje o sistema de controle de versão dominante no desenvolvimento de software e a fundação de plataformas como GitHub e GitLab. Dois monumentos da tecnologia saídos da mesma cabeça finlandesa.
As polêmicas que moveram o Linux para frente
Nenhuma história de 35 anos é só glória — e o Linux tem sua boa cota de brigas memoráveis. Em 2010, o engenheiro Lennart Poettering apresentou o systemd, um substituto para as camadas mais profundas de inicialização do sistema. A adoção foi rápida, mas a revolta também: discussões inflamadas, distribuições rachando ao meio, ofensas pessoais e até ameaças. Poettering não merecia um terço da agressão que sofreu, mas a comunidade fez o que costuma fazer — discutiu alto, decidiu e seguiu em frente. Hoje o systemd é o padrão na maioria das grandes distribuições.
Em 2012, num painel, Torvalds foi questionado sobre a falta de cooperação da Nvidia com os desenvolvedores de Linux. Sua resposta virou meme instantâneo: ele olhou para a câmera, levantou o dedo do meio e disparou um sonoro "Nvidia, f*** you". Nada diplomático — mas, curiosamente, o suporte da Nvidia ao Linux melhorou muito nos anos seguintes, culminando na abertura de módulos de kernel para suas GPUs. Coincidência? Talvez. E em 2013, Solomon Hykes fez uma breve demonstração de um projeto chamado Docker. A tecnologia por trás — os contêineres — já existia no Linux (via namespaces e cgroups), mas o Docker a tornou tão simples que revolucionou a forma como o software é empacotado e distribuído no mundo todo. Boa parte da nuvem moderna roda sobre essa ideia.
Quando a própria comunidade era o ponto fraco
O sucesso em escala planetária criou um tipo novo de vulnerabilidade — e nem sempre era técnica. Em 2014, o bug Heartbleed revelou que boa parte da internet dependia do OpenSSL, um projeto crítico mantido por essencialmente um desenvolvedor em tempo integral, que recebia cerca de US$ 2.000 por ano em doações. O mundo havia erguido sua civilização digital sobre uma infraestrutura que mal se dava ao trabalho de financiar. A resposta, dessa vez, foi estrutural: a Linux Foundation reuniu empresas para criar a Core Infrastructure Initiative, um fundo para sustentar os projetos abertos dos quais todos dependem.
Em 2018, as falhas de processador Meltdown e Spectre ameaçaram praticamente toda a indústria da computação. Sob sigilo absoluto, o mantenedor Greg Kroah-Hartman e uma equipe coordenaram correções emergenciais em várias versões do kernel antes das falhas virem a público. É o tipo de gestão invisível que parece burocracia vista de fora — uma fundação que emprega mantenedores, empresas que pagam associação, conferências que juntam gente — até que uma crise ameaça bilhões de computadores e, de repente, as pessoas certas já estavam posicionadas para responder. A infraestrutura humana também teve seus alertas: em 2015, o desenvolvedor Sage Sharp se afastou do kernel citando anos de comunicação abusiva, expondo que a cultura de brigas nas listas de e-mail estava esgotando quem sustentava tudo. Foi um ponto de virada que a comunidade tratou como trata código: discutiu, projetou e corrigiu.
Afinal, por que o Linux venceu?
Com tantos concorrentes e tanta gente prevendo seu fim, por que foi justamente o Linux que venceu? Segundo quem viveu aqueles primeiros anos, a resposta surpreende: não foi por superioridade técnica. O Linux era, em essência, mais uma geração do Unix — nada radicalmente novo. Também não foi só por ser gratuito ou aberto. O que fez a diferença foi quem ele atraiu: uma legião de estudantes e entusiastas que se importavam profundamente com o funcionamento da máquina e queriam mexer, entender e melhorar. Não adotaram o Linux porque era o melhor naquele momento; adotaram porque podiam abrir o capô, e ao abrir o capô, o tornaram o melhor. O motor do sucesso, em outras palavras, sempre foi humano.
O verdadeiro legado: uma máquina social
Aqui está o dado que confunde muita gente: por volta de 2010, cerca de 75% das contribuições ao kernel já vinham de desenvolvedores pagos por empresas. Traição ao espírito voluntário? Ao contrário. Os voluntários criaram algo tão valioso que o capitalismo apareceu, tirou o chapéu e passou a contribuir sob as regras da comunidade — IBM, Intel, Red Hat e concorrentes financiando juntos um bem que nenhum deles pode controlar. A Linux Foundation, criada em 2007, existe justamente para orquestrar isso: emprega mantenedores-chave como o próprio Linus e Greg Kroah-Hartman numa posição neutra, para que ninguém sequestre o projeto.
Essa fragilidade voltaria a aparecer, de forma ainda mais assustadora, em 2024: o ataque ao XZ Utils, uma biblioteca de compressão usada por muitas distribuições. Um colaborador sob o pseudônimo "Jia Tan" passou mais de dois anos ganhando confiança dentro do projeto para então plantar uma porta dos fundos sofisticadíssima — muitos pesquisadores suspeitam de um serviço de inteligência por trás. O desastre só foi evitado porque um engenheiro da Microsoft ficou intrigado com meio segundo de lentidão numa conexão SSH e resolveu investigar. Paranoia como serviço público. A lição é a mesma do Heartbleed: a generosidade que virou infraestrutura ainda repousa, perigosamente, sobre pouquíssimas pessoas. Se as origens desse movimento te fascinam, o nosso artigo sobre o documentário Revolution OS conta essa história.
35 anos, 40 milhões de linhas
Lembra das 10.239 linhas da versão 0.01? Em janeiro de 2025, o kernel do Linux ultrapassou os 40 milhões de linhas de código, escritas por dezenas de milhares de colaboradores espalhados pelo planeta, muitos dos quais nunca se conheceram pessoalmente. Pesquisadores de Harvard e da Universidade de Toronto estimaram que recriar o valor que o mundo extrai do software de código aberto custaria cerca de US$ 8,8 trilhões. O número é do código aberto como um todo, mas o Linux é a sua demonstração mais clara.
Ao longo do caminho, o projeto também amadureceu como comunidade — inclusive com Torvalds admitindo publicamente, em 2018, que precisava mudar a forma como tratava as pessoas, e voltando com a mesma exigência de qualidade e um tom mais humano. Provou ainda que consegue se reinventar sem perder a identidade: em 2022, aceitou a linguagem Rust ao lado do C para escrever partes do kernel, algo impensável para um projeto tão opinativo. Sobre a tecnologia e o futuro, aliás, vale conferir o que Linus Torvalds pensa da inteligência artificial.
Conclusão: apenas um hobby
A grande lição dos 35 anos do Linux não está no código — está nas pessoas. Ninguém "deveria" ter construído isso: não houve conselho aprovando, nem investidores financiando a versão 0.01. Um estudante escreveu 10 mil linhas, distribuiu de graça e deu de ombros dizendo que não daria em nada. Então apareceram os estranhos — Ted Ts'o, Volkerding, Murdock e milhares de outros — que olharam para algo inacabado e pensaram "eu posso melhorar isto". De repente, deixaram de ser estranhos e viraram companheiros de uma jornada que gerou amizades, carreiras, empresas e até casamentos.
O aspecto mais revolucionário do Linux nunca foi o seu código-fonte, mas a máquina social que se formou em volta dele: um convite permanente para pessoas curiosas do mundo inteiro contribuírem com tempo, talento e teimosia. Foi assim que um hobby de quarto de estudante virou parte da infraestrutura técnica da civilização. Feliz aniversário, Linux — e obrigado a cada um dos gênios anônimos que, uma linha de cada vez, o construíram.